"Apenas Para Seus Olhos" (For Your Eyes Only), de 1981, décimo segundo da série James Bond e quinto filme do ator britânico Roger Moore no papel principal, então com 54 anos, traz agora a direção de John Glen. Após o estrondoso sucesso de Moonraker, a franquia retorna à sua essência, tratando de assuntos geopolíticos.
É baseado no oitavo livro publicado por Ian Fleming, que trata-se de um livro de contos. O filme foi baseado em dois desses contos: For your Eyes Only e Risico.
Logo depois Bond irá confrontar seu velho inimigo Blofeld, que está em uma cadeira de rodas, consequência do último encontro entre os dois rivais. O vilão não aparece diretamente, mas a cena deixa claro que se trata do chefe da Spectre. Bond tem a chance de se vigar e não a deixa passar. Em 2015 teremos uma reviravolta com esse personagem.
Após esse embate nas primeiras cenas, entramos então na história do filme, que está situada na região dos Balcãs, mais precisamente, no mar Jônico, entre a Albânia e a Grécia.
No mar Jônico, o barco de pesca St. George' Valleta é atingido por uma mina naval. Na verdade tratava-se o de um navio espião britânico de reconhecimento e que estava equipado com o sistema A.T.A.C, uma tecnologia que vem a ser o elemento central da trama.
ATAC significa Automatic Targeting Attack Communicator (em português: Comunicador Automático de Ataque e Mira).
Ele é um dispositivo de controle usado pela Marinha Real Britânica para transmitir ordens de ataque a submarinos armados com mísseis Polaris. Se caísse em mãos inimigas, permitiria que esses submarinos fossem controlados remotamente — ou que seus mísseis fossem redirecionados contra alvos aliados.
A história do filme gira em torno da corrida entre James Bond e os soviéticos para recuperar o ATAC após o afundamento de um navio britânico que o transportava.
No final de “For Your Eyes Only”, James Bond consegue recuperar o ATAC antes dos soviéticos. Porém, quando está prestes a entregá-lo, o General Gogol (KGB) chega de helicóptero para reivindicar o dispositivo.
Bond então pega o ATAC e, diante de Gogol, o arremessa contra as pedras, destruindo-o completamente. Esse gesto foi bastante sábio, pois se Bond entregasse o ATAC aos britânicos, poderia gerar uma escalada de tensão com os soviéticos, e se caísse nas mãos da KGB, seria uma enorme ameaça ao Ocidente. Ao destruí-lo, Bond elimina a possibilidade de qualquer lado obter vantagem, evitando uma crise internacional em plena Guerra Fria.
Esse final é simbólico porque mostra 007 agindo não só como agente britânico, mas também como alguém que busca o equilíbrio de poder, impedindo que a tecnologia militar desestabilize o mundo
O casal de arqueólogos Havelock, contratados pelo MI6 para localizar o navio afundado, é assassinado por ordem de um contrabandista grego chamado Aris Kristatos. A filha deles, Melina Havelock, sobrevive e busca vingança.
Bond investiga e cruza o caminho de Melina, que já matou o assassino dos pais com sua besta. Eles acabam se unindo, mesmo que inicialmente com objetivos diferentes.
Bond recebe informações contraditórias: Kristatos finge ser aliado dos britânicos e acusa o rival Milos Columbo (conhecido como “O Pombo”) de estar a serviço dos soviéticos
Mais tarde, Bond descobre que Kristatos é o verdadeiro traidor e Columbo, na verdade, um aliado inesperado.
Bond viaja pela Grécia, Itália e Albânia em várias missões de investigação e ação.
Inclui a famosa cena de esqui, perseguições de carros (Bond dirigindo um humilde Citroën 2CV), e o ataque em Cortina.
Ele também enfrenta a patinadora Bibi Dahl, patrocinada por Kristatos, que tenta seduzi-lo, mas Bond recusa.
Bond e Melina descem ao navio afundado para recuperar o ATAC. Eles conseguem, mas são capturados por Kristatos.
Kristatos não os mata de imediato. Ele os amarra e os arrasta por trás do barco (a famosa cena da tortura marítima com tubarões e corais).
Eles conseguem escapar graças à determinação de Melina.
Kristatos leva o ATAC para entregar ao general soviético Gogol.
Bond, Melina e Columbo escalam um mosteiro nos penhascos de Meteora em uma sequência de alpinismo cheia de suspense.
Há a luta final: Columbo mata Kristatos, Bond recupera o ATAC.
Quando Gogol chega de helicóptero, Bond joga o ATAC contra as pedras, destruindo-o, e ironicamente diz:
“Diga ao seu chefe que a détente ainda funciona.”
Gogol sorri e vai embora, reconhecendo o equilíbrio mantido.
Bond e Melina têm seu momento romântico final no iate dela.
Moneypenny e o Primeiro-Ministro britânico acompanham a cena através de uma ligação em vídeo (com humor típico da série).
Bond impede que o dispositivo ATAC caia em mãos soviéticas, vinga os Havelock junto de Melina e restaura o equilíbrio de poder destruindo o aparelho.
O filme reflete e comunica indiretamente algumas tensões geopolíticas e estratégicas ligadas à região dos Balcãs, especialmente se contextualizado com a Guerra Fria.
A localização da Grécia no Mediterrâneo, próxima a países do Pacto de Varsóvia (como a Albânia), reforça sua posição geopolítica estratégica.
O fato de o aparelho ATAC ter caído em águas próximas da Grécia e da Albânia sugere o papel da região como ponto de tensão entre o Ocidente (OTAN) e o Bloco Soviético.
A Grécia havia passado por uma ditadura militar (1967–1974) e vivia, nos anos 1980, uma fase de reconstrução democrática. Embora o filme não explore isso diretamente, a presença de intrigas políticas, corrupção e figuras ambíguas (como Kristatos, que coopera secretamente com a KGB) pode ser lida como uma crítica velada à vulnerabilidade política do país.
A rivalidade entre Kristatos e Columbo (personagens gregos com ligações internacionais) mostra como potências externas influenciavam e operavam dentro da Grécia através de agentes locais.
O uso de paisagens icônicas gregas (como Meteora, Corfu e Atenas) reforça o imaginário ocidental da Grécia como berço da civilização, mas também como um lugar de mistério e conflito moderno, contrastando tradição e instabilidade contemporânea.