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O Irlandês

Filme de 2019, do diretor Martin Scorsese, conta a história de um ex-sindicalista, membro da máfia nos Estados Unidos, vivido pelo ator Robert de Niro, que confessa ter assassinado o líder sindical americano Jimmy Hoffa, interpretado por Al Pacino.

Hoffa também já havia sido representado nas telas pelo ator Jack Nicholson no filme "Hoffa - Um Homem, Uma lenda", de 1992, dirigido por Danny DeVitto.

O texto a seguir de autoria de Vitor Grané Diniz, da página "Noites de Cinema" do Facebook, brinda-nos com mais um pouco de história da sétima arte, fazendo um paralelo entre as atuações desses dois gigantes das telas, Nicholson e Pacino, desse personagem especificamente, falando também do desafio que é para um ator interpretar personagens reais.




Jimmy Hoffa: Al Pacino x Jack Nicholson

 Nem todo filme cujo protagonista seja um personagem histórico é necessariamente uma cinebiografia. Há dois tipos de filmes sobre personagens reais, o primeiro é de fato as biografias, como Gandhi (1982) e Chaplin (1992), ambos de Richard Attenborough, onde são mostradas a infância, juventude, fase adulta, e os principais aspectos da vida pessoal, sucessos, fracassos e morte. E há também os filmes de cunho histórico, onde se narra um capítulo da história humana, como por exemplo: segunda guerra mundial, terceiro reich, guerra fria e independência dos Estados Unidos, onde um personagem específico foi importante ou obteve destaque, por exemplo: A queda! (2004), A rede social (2010) e Lincoln (2012) não podem ser consideradas biografias de Hitler, Mark Zuckerberg e Abraham Lincoln respectivamente, pois são obras cujo foco não são suas histórias de vida, e sim eventos importantes históricos e sociais que tiveram protagonistas muito marcantes, e esses mesmos personagens são reproduzidos em frente às câmeras.

Interpretar um personagem real, ou uma figura histórica não é fácil. Dar a vida a um personagem fictício permite ao ator gozar de uma certa liberdade para criar e incorporar ao personagem os elementos que ele julga serem necessários; já quando se trata de uma figura real, o ator fica bem mais limitado, ele tem que aprender as características e hábitos de seu personagem e se concentrar apenas nisso, sem muito espaço para criar ou improvisar; mas isso não significa “imitar” o personagem que está sendo retratado, “não se pode fazer imitações de pessoas, elas nunca funcionam” garante Marlon Brando. Talvez seja justamente por essa dificuldade que tantas interpretações vencedoras do Oscar foram de atores e atrizes que interpretaram personagens reais, tomemos como exemplo Meryl Streep (Margareth Tatcher), Daniel Day-Lewis (Abraham Lincoln), Eddie Redmayne (Stephen Hawking), Gary Oldman (Winston Churchill), Jamie Foxx (Ray Charles), Rami Malek (Freddie Mercury), Renée Zellweger (Judy Garland), dentre tantos outros...

Há quem diga que para se interpretar um personagem real, o ator precisa extrair todas as suas principais caraterísticas e reforçá-las em cena.

Como bem observou a autora e professora de interpretação Ivana Chubbuck em seu livro O poder do ator: “Os atores mais consagrados pelo seu talento são aqueles que nunca perdem de vista quem eles são como pessoa quando estão atuando. Robert DeNiro, Jack Nicholson, Meryl Streep, Cate Blanchett e Al Pacino interpretaram, cada um, uma variedade de personagens, mas você sempre pode ver os traços do seu verdadeiro eu no seu trabalho.” De fato, todo bom ator sempre manterá sua “base” na composição dos seus personagens, além disso, acrescentará características únicas e especiais a cada um deles.

Tomemos como exemplo Jimmy Hoffa, líder sindical e importante figura da história norte-americana do século XX. Hoffa já foi interpretado nos cinemas por ninguém menos que verdadeiras lendas como Jack Nicholson e Al Pacino. Na primeira versão, Hoffa – um homem, uma lenda (1992), Nicholson abriu mão, quase que completamente, de sua base como ator para assim tentar encarnar com precisão e detalhadamente a figura do ex-líder sindical. Não deu muito certo, afinal o filme não fez tanto sucesso e Nicholson foi indicado à Framboesa de Ouro na categoria de pior ator. Mesmo com toda a sua experiência e com vários sucessos no currículo, Nicholson cometeu um erro fatal. Já na segunda versão, em O irlandês, Al Pacino interpreta Hoffa de forma livre e não totalmente presas às características do verdadeiro Hoffa, embora Pacino tenha estudado seu papel a partir da figura real, ele se valeu muito mais de sua base e de suas marcas registradas para compor o personagem do que Nicholson. Deu muito certo! Por este trabalho Al Pacino foi indicado ao Bafta, Globo de Ouro, Prêmio do Sindicato e o Oscar, todos na categoria de Melhor Ator Coadjuvante.

Ou seja, é possível sim que um ator, ao interpretar um personagem real, ainda assim possa se valer de sua base sem ter que anular suas características para dar vida ao personagem.


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A Inveção de Hugo Cabret

Paris, 1930.
 
Na esperança de descobrir uma mensagem de seu falecido pai, um garoto solitário que vive escondido nas dependências de uma estação de trem em Paris, tenta consertar um "autômato", uma espécie de boneco mecânico que funciona com engrenagens como as de um relógio.
 
O garoto é Hugo Cabret, de 12 anos de idade. Para concluir sua façanha ele começa a roubar as peças de um velho senhor que restaura brinquedos também na estação, Papa Georges. Só que o que ele vai descobrir ao ser desmascarado por Papa Georges irá mudar completamente a sua vida.
 
Essa emocionante história cheia de aventuras e suspense está contada no filme "A Invenção de Hugo Cabret" (Hugo), de 2011, do brilhante diretor americano Martin Scorsese. O filme é baseado no livro homônimo do escritor americano  Brian Selznick, publicado em 2007, e foi vencedor de 5 Oscar em 2012.

 
 
Ele faz uma belíssima e merecida homenagem ao grande diretor de cinema e de teatro, o ilusionista Georges Méliès, de quem já falamos aqui no blog no post do seu filme "A Viagem à Lua", de 1902. Quem interpreta brilhantemente Papa Georges - Georges Méliès é o ator britânico Ben Kingley.
 
 
Cartaz do filme "A Viagem à Lua"
 
 
O Autômato de Hugo Cabret

Ben Kingsley como Papa Georges (Georges Mèliès)
 
 
Georges Méliès

 
 



Boardwalk Empire - O Império do Contrabando

Atlantic City, New Jersey, USA, 1920.

Ao entrar em vigor a Prohibition, ou Lei Seca que proibia a fabricação, a distribuição e o consumo de bebida alcoólica no país, entram em cena os reis do contrabando, a maiora imigrantes que se tornariam os grandes gangsters americanos.

Esse é o cenário da série televisiva Boardwalk Empire - O Império do Contrabando, da HBO, lançada em 2010, e que teve o primeiro capítulo, o mais caro de uma série até hoje, dirigido por Martin Scorcese.



Apesar de tratar-se de uma ficção, a série está permeada por importantes fatos históricos daquele momento, como por exemplo o final da primeira guerra mundial, com os veteranos voltado para casa com traumas físicos e psicológicos, o período entre-guerras, as questões raciais, o sufrágio feminino, sem falar dos aspectos políticos.

O mais importante contrabandista de Atlantic City, e principal personagem da série é o próprio tesoureiro da cidade, Enoch "Nucky" Thompson, um descendente de imigrantes irlandeses que é um personagem fictício inspirado no real Enoch L. Johnson.

Nucky  tem uma conduta bastante ambígua, para dizer o mínimo. Perante a sociedade ele é um respeitável e importante homem de bem, defensor da moral e dos bons costumes, no entanto, fez fortuna com negócios envolvendo bebidas e portanto tem motivos de sobra para comemorar a nova lei de proibição, já que as pessoas não deixarão de consumir bebida alcóolica, apenas o preço dela será agora muito mais alto.

(em construção)